Transporte de cargas e sincromodalidade: Brasil tem muito o que aprender

A greve dos caminhoneiros realizada em 2018 devido às insatisfações com o aumento do valor do combustível, as cobranças de pedágio e a redução do valor do frete até hoje chama a atenção. No Brasil de 2021, o aumento nos preços de alimentos e combustíveis é constante, a inflação sobe cada vez mais e o Brasil caminha a passos largos para se tornar um país extremamente devedor.

O setor rodoviário brasileiro é responsável por cerca de 65% de tudo aquilo que é produzido no Brasil. Mas, de acordo com dados obtidos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nos últimos 20 anos, o país investiu apenas 2,18% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, um valor muito abaixo se comparado com outras economias emergentes que investem entre 4 e 5% do PIB para melhorar a infraestrutura e ter serviços de boa qualidade.

A falta de investimentos e os desafios impostos pela economia brasileira afetam diretamente o segmento logístico e de transporte. Segundo o último índice de Performance Logística realizado pelo Banco Mundial, o Brasil ocupa 56ª posição no ranking geral que reúne 160 países na categoria “Competência e Qualidade dos Serviços Logísticos”. Um desempenho que escancara a falta de olhar para esse setor, setor esse que poderia render muito mais frutos para o país, se fosse olhado com mais cuidado e cautela.

Já o continente europeu tem uma realidade completamente diferente da nossa, lá, três países se destacam e muito na forma de fazer logística, são eles: Alemanha, Bélgica e Holanda. Juntas, essas três nações são chamadas de EuroDelta, pois, possuem um sistema de sincromodalidade que é o diferencial na forma de fazer o transporte de cargas. Eles aplicam a concepção de todos os modais em um só sistema integrado e sincronizado.

Um exemplo claro de sincromodalidade pode ser visto no porto de Antuérpia, na Bélgica. O segundo maior porto europeu que movimenta mais de 190 milhões de cargas por ano e possui conexões para mais de 800 destinos. São 950 saídas de barcaças fluviais, 220 trens por dia interligando as principais rodovias da Europa e 1000 km de linhas férreas, ainda dentro do porto. Isso não foi construído da noite para o dia, isso foi fruto de bastante investimento e um olhar visionário que proporcionou uma qualidade diferente dos demais países.

O Brasil precisa investir mais no quesito multimodalidade, precisamos evoluir em comparação aos países desenvolvidos. Se nós conseguíssemos utilizar as diferentes modalidades a nosso favor teríamos uma melhora completa nos diferentes modais do transporte brasileiro. Muitas vezes, temos rodovias, portos, ferrovias e terminais com uma estrutura precária, aquém do necessário, além da falta de tecnologia pelo setor como um todo.

Conglomerados que possuíssem postos de abastecimento e de alimentação, banheiros com chuveiros para motoristas, lugar para descanso e, principalmente, boa segurança seriam de extrema importância para a melhora do nosso transporte de carga. Temos que ter em mente que investir no transporte é investir em qualidade ! Todos nós sairemos ganhando. Você não concorda?

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